CADEIA UM ESPAÇO ANTROPOFÁGICO: UMA RELEITURA DE ABAPORU
- Marroca Infos Prisionais
- há 5 dias
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Entre grades e abandono, a arte surgiu como redenção e salvou sonhos que o cárcere tentou devorar.

Clauverton experimentou um cigarro de maconha, pouco tempo depois, em posse de 1 grama de erva foi detido e experimentou a prisão por longos 120 dias. Foram 4 meses de cadeia sob a acusação de ser associado ao tráfico de drogas, e passou um dia após o outro experimentando a amargura de um cotidiano prisional sórdido e cruel.
Durante todo esse período ele viu a cadeia como um ambiente antropofágico, não como se fosse capaz de permitir que os homens se devorassem, mas como um espaço que devora milhares de homens, sonhos, projetos e famílias. Clauverton viu a cadeia devorar o tempo da sua existência sem qualquer recompensa, ócio pelo ócio, ócio com significado de abandono, desprezo e repulsa social. Sem ter com quem falar, para onde ir e o que fazer, o sujeito fica parado dentro de uma cela, à toa, sendo corroído pela ferrugem que apodrece a alma enquanto deixa a grade da cela mais forte e mais rígida.
Quando tudo parecia chegar ao fim, a arte lhe apareceu como uma redenção e interrompeu o processo que por pouco não deteriora sua vida, seus sonhos , futuros e habilidades. Clauverton é um artista cearense que faz música, desenhos e tatuagens. Não é sem sentido que todos o conhecem como Tattuart, sujeito que faz da criatividade seu principal instrumento para comunicar ao mundo a sua existência.
Sobre a importância da arte, Clauverton diz:
Durante a prisão, o que o sistema prisional não conseguiu fazer por mim, a arte fez. A arte é a maior ferramenta de ressocialização, ela aproxima pessoas, transmite esperanças e salva os jovens. Pela arte não é só um que se salva, a arte salva os pobres, as periferias , os tatuados.
Ao lado de Jesus Black (Young Ganni) fizeram uma releitura da obra Abaporu de Tarsila do Amaral, e a arte traz consigo uma imagem muito dura no cenário brasileiro: o aprisionamento de jovens periféricos.
É com orgulho que apresentamos a releitura da obra de Tarsila do Amaral, criada em 1928. Arte é isso mesmo, depois de 98 anos, prestes a celebrar seu primeiro centenário, Abaporu ainda provoca jovens e alimenta esperança de dias melhores.
Clauverton e Jesus Black são pessoas com outros olhares. São olhares capazes de pegar riquezas do Brasil e trazer uma reflexão muito séria sobre a prisão e a ressocialização. Quem puder e quiser, sigam esses caras
@eutattuu (Clauverton Souza)
@jesusxxblack (Young Ganni)



A Arte Liberta ♥
O tatu sempre serve de inspiração pra eu fazer meus projetos
Esse cara move o mundo espalhando conhecimento, amor e carinho, sem olhar a quem!
Depois de tanta luta e provação ele deu à volta por cima e carrega uma história inspiradora para quem a conhece! Parabéns por ser esse humano de coração gigante.
Te amo de graça irmão!
Todo sucesso do mundo pra ti!
Te admiro e tenho a honra em ter você como irmão ! Explode a bolha mermao !