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FAZ VOCÊ! As ordens virtuais inconsequentes

  • 16 de abr.
  • 3 min de leitura

O discurso violento no combate a violência ecoa nas redes sociais, vozes retumbantes anunciam que a melhor maneira de combater a violência é praticando violência. A reciprocidade em determinados cenários é imprescindível, e pagar com a mesma moeda, também. Contudo, a lógica insana de retribuir o mal com o mal foge dos limites de convivência, pois para conter um feito violento, requer a existência de uma pessoa para cumprir essa árdua tarefa. E o que quase ninguém conta é que geralmente isso é crime. Não é crime reagir, mas a depender da forma, sim.

No tribunal virtual há um clamor imediatista para retribuir, com requintes de crueldades, a qualquer feito criminoso, ainda que tais feitos já tenham sido administrados pelas forças policiais ou pelo sistema de justiça criminal. Nesse caso, as estruturas do Estado são vistas como insuficientes e o que se propõe é sempre a aniquilação daquele que praticou o grave delito.

Diante de uma crise no sistema penitenciário, vociferam os internautas para que os presos sejam executados, mas em seguida, diante de um médico preso sob acusação de estupro, clamam para os presos estuprarem o tal criminoso. Mas se os presos fossem todos mortos na primeira sentença, não haveriam presos para cumprir as ordens do segundo ato. Entendem? A lógica do extermínio acaba com tudo, literalmente. 

O curioso é que em casos assim, sempre tem responsabilidade contra aqueles que praticaram algum ato ilícito.  Os policiais que sobem favelas e executam pessoas, quando são filmados, são afastados, em alguns casos ficam presos e são excluídos da corporação. Recentemente um policial foi filmado desferindo um tapa no rosto de uma estudante. Já foi afastado e a depender do cenário de pressão, cedo ou tarde será excluído. E a galera que apoia esse tipo de ato, o que fazem para reparar os prejuízos do servidor? O policial que mata vagabundo, uma hora vai em cana. E pasmem, só a esposa vai pra fila da visita, e depois de excluído da corporação, vai para um presídio comum , e em muitos casos é reputada como marmita de vagabundo, pois não há distinção entre visitantes de pessoas presas.

São muitas situações em que o flagrante do crime pode resultar em outros crimes. As pessoas torcem para que alguém pratique o mal para combater o mal, mas poucos queres se responsabilizar. Frases soltas do tipo: “Não tinha que prender, tinha que matar”, sempre encontram um desavisado disposto a cumprir a missão, e este sem saber, quando é flagrado, torna-se tão criminoso quanto aquele que ele lutou para combater.  O Estado está aí justamente para isso: não permitir que as ilegalidades se proliferam, e mais. O monopólio da força pertence ao Estado. Quando deliberadamente decidimos assumir privativamente tais ações, a gente precisa saber que existem consequências.

As vozes retumbantes que gritam por mais mortes, justiçamentos e vingança desmedida precisam ser silenciadas com uma simples resposta: “Eu,não! Vai lá você e faz.”. Pois no fim, é isso: a galera não quer sujar a mão, mas quer ver todo mundo sujo de sangue. Atos violentos precisam de responsabilidades. Se alguém deseja ver o estuprador ser estuprado, que vá lá e o estupre. Se alguém acha que o bandido tem quer ser morto ou espancado, que vá lá e espanque ou mate. 

Enquanto a gente ficar na internet proliferando o mal, sem ser o ser humano mau da ocasião, haverá sempre capachos vulneráveis atendendo chamados e cumprindo uma missão que ele nem sabe o motivo. O preso não é serviçal de uma sociedade raivosa para fazer justiçamento. A polícia não é uma instituição de vingança privada. A estrutura do estado não devem servir a interesses coletivos raivosos. É imprescindível a legalidade e a dignidade.

E quando alguma vontade te alcançar, deixe a internet de lado e faça você mesmo. E caso tenha um pouquinho de hombridade, compareça até uma autoridade policial e assuma as consequências das ações. Ficar na internet mandando fazer está fácil demais, se tens vontade, desejos e intentos criminosos, faça você e depois mostre ao público e as instituições de justiça as mãos sujas da violência praticada em nome da moralidade.



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